Exposições

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40x40 SEVERA 2020 DSC 6556

40x40 Sevilla Flamenco Company 2022 DSC 9525

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Sala Afonso Cruz

PONTOS DE LUZ

UMA JORNADA FOTOGRÁFICA

 

A exposição “Pontos de Luz” de Rui Santos reúne um conjunto de 26 fotografias produzidas originalmente no âmbito da documentação de espectáculos do CAE. Fazer justiça a este núcleo — fragmento apenas de um percurso longo e discreto — implica, porém, deslocar o olhar da eficácia documental para uma outra dimensão do trabalho do autor. Mais do que a capacidade de fixar visualmente instantes irrepetíveis, estas fotografias revelam uma prática autoral que constrói a imagem como gesto de leitura, a bem dizer, como gesto de interpretar aquele acontecimento a partir da luz, do espaço, do tempo e da relação entre corpos, matéria cénica e público.

A diversidade disciplinar representada — música, dança, teatro, performance, concerto, gesto coreográfico ou dispositivo cénico — não produz dispersão formal. Pelo contrário, deixa perceber a linguagem fotográfica de Rui Santos, sustentada numa atenção rigorosa às arquitecturas do espectáculo e, muito particularmente, ao trabalho da luz como princípio organizador da imagem. Assim acontece em Severa, onde o banho cromático vermelho uniformiza o campo visual e converte a massa coral numa superfície de tensão dramática; em Sofia Escobar, em que os feixes descendentes constroem um eixo de centralidade que articula artista, palco e audiência; em O Salvado, onde a incidência recortada sobre o corpo isolado instala um regime de presença feito de contenção espacial e confronto com o vazio. A luz chega-nos, pois, não apenas como condição da visibilidade ou prolongamento do desenho cénico, mas como matéria constitutiva da própria fotografia — elemento capaz de ordenar, separar, aproximar, fazer emergir um mundo visual plástico dentro do mundo representado.

Também o enquadramento indicia o posicionamento singular deste autor perante o espaço observado. Há, nestas imagens, uma apropriação do espetáculo que ultrapassa uma vocação descritiva. O fotógrafo parece tomar como seu o território que percorre, movendo-se entre proximidade e distância não por conveniência técnica, mas segundo uma lógica de tensão visual e afectiva. Em certos momentos, a imagem aproxima-se até ao limiar da intimidade — um rosto suspenso na emissão vocal, uma mão em contacto com o instrumento, um corpo capturado na instabilidade do gesto — fazendo surgir um lugar de intimidade performativa frequentemente invisível ao espectador presencial. Noutros casos, o afastamento torna-se decisivo. Em Madame Butterfly, O Misantropo ou O Quebra-Nozes, a abertura do plano integra palco, arquitectura cénica, desenho lumínico, maquinaria técnica e relação com a sala, oferecendo uma leitura expandida do espectáculo. O espaço deixa então de funcionar como contexto e integra a matéria da composição; o movimento entre escalas torna-se, a par da luz, outro dos traços mais consistentes do olhar de Rui Santos, capaz de negociar simultaneamente o detalhe expressivo e a dimensão expandida do acontecimento.

A negociação com o espaço prolonga-se a uma relação particular com o tempo. Se a fotografia de espectáculo tende muitas vezes a privilegiar o instante culminante, o gesto imediatamente reconhecível ou aquilo que o arquivo confirmará retrospectivamente como “o momento”, aqui a ideia de momentum adquire uma formulação mais complexa. O interesse parece residir menos na captura do auge e mais na apreensão de estados de suspensão expressivos: concentração, intensidade latente, expansão. A imagem capta o que antecede ou prolonga o acontecimento visível — a respiração antes da entrada musical, a tensão muscular do corpo performativo, a atenção dedicada que circula entre palco e plateia. Deste modo, não secciona o fluxo do espetáculo, condensa-o.

É dessa suspensão expressiva, dessa modelação lumínica e desse desenho espacial que Rui Santos constrói plasticamente as suas imagens: em AUTÓPSIA, de Olga Roriz, a composição centrada nas pernas elevadas converte o corpo num desenho quase abstracto, simultaneamente rítmico e escultórico; em Sevilla Flamenco Company, a geometria das posições corporais, articulada com a direcção da luz, produz uma tensão formal que resiste à mera ideia de explosão cinética; no plongée sobre o piano do Figueira Jazz Fest, a estrutura do instrumento reorganiza a percepção da performance musical, tornando-se ela própria paisagem visual. 

Deve ainda notar-se a presença recorrente do público. Em Ana Lua Caiano, Sofia Escobar, Ficheiros Secretos ou O Quebra-Nozes, a audiência não permanece fora de campo nem surge reduzida a ruído periférico. Integra activamente a composição, lembrando que o espectáculo é uma experiência relacional, feita de atenção, circulação afectiva e comunidade temporária. A fotografia não observa apenas quem actua; observa igualmente quem recebe, quem espera, quem partilha o mesmo tempo suspenso da representação. É talvez aí que o conjunto de imagens expostas em “Pontos de Luz” encontra uma das suas singularidades mais discretas. Sem renunciar à sua origem documental, o trabalho de Rui Santos desloca continuamente a fotografia para um território de interpretação artística. Conhecedor íntimo das costuras desta sua segunda casa — o CAE — que percorre com a naturalidade de quem aprendeu a existir sem perturbar a cena, o fotógrafo não procura afirmar uma falsa objectividade nem reclamar protagonismo sobre aquilo que documenta. O seu gesto opera noutro lugar: o da capacidade de reconhecer, dentro da duração efémera do espectáculo, uma potência especificamente fotográfica, feita de luz, enquadramento, ritmo espacial e relação com o outro.

 
No fundo, o que nelas persiste não é apenas o instante preservado. Vivem da proximidade paciente a um universo partilhado e da rara capacidade de transformar o acto de registar num acto de presença.

Maria Coutinho


Sala Afonso Cruz | Entrada livre
Horário:

Segunda a quinta-feira: 09h00 às 23h00
Sextas-feiras: 09h00 às 24h00
Sábados e feriados: 10h00 às 24h00
Domingos: 10h00 às 19h00

 

 
 
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Mário e Heitor Chichorro : Ar(te) de família

SALAS 2 e 3 | 26 de ABRIL a 27 de SETEMBRO de 2026 | Entrada livre

Uma exposição dedicada a Mário Chichorro, artista português de obra prolífica, intitulada Ar(te) de família. Embora nunca tenha a oportunidade de expor no Portugal durante a sua vida, o seu trabalho é hoje homenageado no CAE da Figueira da Foz, em coneção com o do seu irmão mais novo, Heitor Chichorro, artista já conhecido dos figueirenses. Nascido em 1932, em Torres Vedras, Mário estudou arquitetura em Portugal antes de viver em França, em 1963. Após o seu despedimento em 1968, devido ao seu envolvimento militante, decidiu dedicar-se inteiramente à criação artística.

A sua obra, que combina pintura e escultura sob a forma de baixos-relevos, caracteriza-se por cores vivas, uma grande liberdade formal e a ausência de regras clássicas, como a perspetiva. Inspirado pelo humor, pela irreverência e pelo devaneio, Mário desenvolve um universo povoado por personagens, cenas imbricadas e alegorias por vezes tingidas de erotismo. Recusando qualquer categorização, é contudo associado à arte « fora das normas » e figura em importantes coleções de arte bruta.

A exposição, organizada sem ordem cronológica, reflete a sua liberdade criativa e permite, de forma póstuma, reunir as obras dos dois irmãos, unidos por um mesmo apego à vida, às formas e às cores.


Salas 2 e 3 | Entrada livre
Horário:

Segunda a quinta-feira: 09h00 às 23h00
Sextas-feiras: 09h00 às 24h00
Sábados e feriados: 10h00 às 24h00
Domingos: 10h00 às 19h00

 

 
 

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Figueira em Miniaturas - Cartoon em 3D
Zé Carlos

O Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz apresenta a exposição "Figueira em Miniaturas - Cartoon em 3D", da autoria do cartoonista Zé Carlos. A mostra estará patente na Sala 3, de 11 de fevereiro a 5 de abril de 2026.
Esta exposição única é uma viagem afetiva e tridimensional pela memória coletiva da cidade. Zé Carlos, com o seu traço característico e sentido de humor, transporta para a tridimensionalidade – naquilo que designa de "Cartoon em 3D" – um conjunto de miniaturas dedicadas à Figueira da Foz e suas freguesias.
Os trabalhos têm um duplo objetivo: recordar e dar a conhecer. Através de cenas e figuras de carisma, o artista captura os usos, costumes e tradições que moldaram o quotidiano figueirense. Para uns, será uma agradável jornada de nostalgia; para outros, uma descoberta encantadora de uma Figueira de fortes tradições.
Mais do que uma mostra artística, "Figueira em Miniaturas" é um tributo às gentes e às vivências que caracterizam a identidade da cidade, preservando o seu património imaterial com sensibilidade e criatividade.

Sala 3 | 11 de fevereiro a 5 de abril de 2026 | Entrada livre

Sala 3 | Entrada livre
Horário:

Segunda a quinta-feira: 09h00 às 23h00
Sextas-feiras: 09h00 às 24h00
Sábados e feriados: 10h00 às 24h00
Domingos: 10h00 às 19h00

 

 
 

Jardim Interior CAE DSC 9074

a partir de 24 de junho

Jardim Interior | Entrada livre

No dia 14 de novembro de 2019 o freixo do Largo da Misericórdia - Páteo de Santo António -, com cerca de 300 anos de idade e classificado em 2009 pelo ICNF como árvore de Interesse Público (ICNF: n.º processo KNJ1/537), foi abatido por motivos de debilidade e de segurança pública, após decisão devidamente sustentada em pareceres e avaliações técnicas e com a concordância do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Plantado há 300 anos em frente ao edifício do Convento, que hoje acolhe o Lar de Santo António, o freixo tornou-se uma árvore majestosa com uma forte presença no local onde era já carinhosamente designado de “Freixo de Santo António.” Em 2018, sucumbiu à tempestade Leslie.

Reconhecendo que esta árvore era uma referência daquele espaço e da memória coletiva dos figueirenses, representando um valor importante na história e no património local, o Município preocupou-se em perpetuar essa memória e o simbolismo a ela associado.

E porque as árvores não morrem, do “Freixo de Santo António”, o escultor Paulo Neves talhou as presentes esculturas: Santo António, São João, São Pedro e São Julião, quatro dos mais estimados Santos da Figueira da Foz, que permanecerão preservadas neste renovado jardim interior do CAE e que, pela sua originalidade, não serão indiferentes aos olhares de quem por aqui passa.

 

Horário:

De segunda a sexta-feira: 13h00 às 19h30
Sábados: 14h00 às 19h00
Domingos e feriados: Encerrado
Dias de espetáculo: até ao final do espetáculo

 

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